Uma pessoa cai no chão e deixa de responder. O erro mais perigoso é presumir que se trata apenas de um desmaio e começar a procurar água, levantar a vítima ou esperar que ela “volte”. Uma pessoa inconsciente pode estar passando por algo transitório, mas também pode estar em parada cardiorrespiratória, ter sofrido um trauma ou apresentar outra emergência grave. Nos primeiros instantes, o diagnóstico importa menos que três perguntas: o local é seguro, a pessoa responde e ela respira normalmente?
Primeiro verifique se o ambiente é seguro para quem presta ajuda. Depois tente obter resposta da pessoa sem movimentá-la desnecessariamente.
Se a pessoa não responde e não respira normalmente, trate a situação como possível parada cardíaca: acione o SAMU 192, inicie RCP conforme orientação e utilize um DEA quando disponível.
Respirações agônicas, lentas, irregulares e ruidosas não devem ser confundidas com respiração normal. Uma pessoa inconsciente não deve receber água, alimentos ou medicamentos pela boca.
A pessoa caiu e não responde: o que verificar primeiro
Antes de se aproximar, observe o ambiente. Trânsito, eletricidade, fogo, gás, violência ou estrutura instável podem transformar o socorrista em uma segunda vítima. A ajuda começa pela segurança da cena.
Se não houver perigo imediato, aproxime-se e tente verificar resposta. Chame a pessoa em voz alta e toque nos ombros com cuidado. Se houve queda importante, atropelamento ou outro trauma, evite movimentação desnecessária.
Uma pessoa que não responde precisa de avaliação rápida da respiração. Observe se o tórax se movimenta de maneira compatível com respiração normal e preste atenção ao fluxo respiratório.
Durante uma parada cardíaca, a pessoa pode apresentar movimentos respiratórios esporádicos, lentos, ruidosos ou semelhantes a arquejos. Essas respirações agônicas não representam ventilação normal.
Se a pessoa está inconsciente e não respira normalmente, acione o serviço de emergência e trate como possível parada cardiorrespiratória.
A American Heart Association mantém a orientação de que uma pessoa sem resposta e sem respiração normal deve receber RCP imediatamente e um DEA deve ser utilizado assim que estiver disponível.
No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192. Colocar o telefone no viva-voz permite receber orientação da central enquanto a pessoa presente inicia as medidas indicadas.
Não perca tempo tentando medir pressão, procurar glicemia ou descobrir a causa antes de confirmar resposta e respiração. Essas informações podem ser úteis depois, mas não substituem a avaliação inicial.
O que fazer enquanto o socorro não chega
Se a pessoa não responde e não respira normalmente, siga a orientação do atendimento de emergência e inicie compressões torácicas. Pessoas treinadas devem aplicar as técnicas conforme os protocolos atuais. Para leigos sem treinamento, o atendente do serviço de emergência pode orientar passo a passo.
Se houver um DEA disponível, peça a alguém para buscá-lo. O equipamento foi projetado para analisar o ritmo cardíaco e indicar choque apenas quando apropriado. Ligue-o e siga as instruções de voz.
Se a pessoa está inconsciente, mas respira normalmente, a situação continua exigindo atenção. Mantenha vigilância sobre a respiração e aguarde orientação profissional.
A posição lateral de segurança pode ser apropriada em algumas situações quando a pessoa respira normalmente e não existe suspeita relevante de trauma ou outra contraindicação. Ela ajuda a manter vias aéreas protegidas em determinados contextos. Quando houve queda importante, acidente ou dúvida sobre lesão de coluna, movimentações desnecessárias devem ser evitadas e o atendimento telefônico deve orientar a conduta.
Nunca dê água, café, açúcar, alimento ou medicamento a uma pessoa inconsciente. Ela pode aspirar o conteúdo para as vias respiratórias.
Também não jogue água no rosto, não dê tapas e não tente colocar a pessoa em pé para “acordar”. Recuperar consciência não depende de estímulo agressivo.
Se houver vômito e risco de aspiração, a situação exige atenção imediata à via aérea e orientação do serviço de emergência, especialmente quando existe suspeita de trauma.
Quais sinais indicam maior gravidade e o que não fazer
Inconsciência prolongada, falta de ar, dor no peito antes do episódio, convulsão, sangramento, trauma de cabeça, gestação, repetição de episódios, déficit neurológico, intoxicação suspeita ou doença cardíaca conhecida aumentam a preocupação.
Mesmo uma pessoa que recupera a consciência pode precisar de avaliação. Um desmaio pode ocorrer por fatores benignos, como determinadas respostas vasovagais, mas também pode ser manifestação de arritmia, alteração metabólica, sangramento ou outros problemas.
Quando a pessoa desperta, mantenha-a em posição segura e evite que se levante rapidamente. Pergunte como se sente e observe se existe confusão, dificuldade para falar, dor, fraqueza ou outro sintoma.
Não deixe a pessoa dirigir imediatamente depois de uma perda de consciência sem explicação. Também não trate o retorno da consciência como prova de que “não foi nada”.
Em crianças, parada cardiorrespiratória pode ter causas e protocolos diferentes dos adultos, incluindo maior importância de problemas respiratórios. Por isso, instruções pediátricas específicas devem ser seguidas quando a vítima é criança ou bebê.
Quando alguém perde a consciência, a tarefa do leigo não é descobrir o diagnóstico. É reconhecer a condição presente. A pessoa responde? Respira normalmente? Há risco ao redor? Essas respostas direcionam a primeira ação e podem ser muito mais importantes que tentar adivinhar por que ela caiu.

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