Água do mar pode ser usada como matéria-prima para produzir hidrogênio, mas isso não significa abastecer um motor com água salgada. Um projeto liderado pela Brunel University of London e pela empresa Genuine H2 procura demonstrar uma cadeia completa para aplicações marítimas: separar hidrogênio usando eletricidade renovável, armazená-lo e depois queimá-lo num motor adaptado. A água está disponível em enorme quantidade. A energia necessária para quebrar suas moléculas continua sendo a parte cara da equação.

Resumo Infoalfa

O projeto GH2DEM recebeu mais de £1 milhão para desenvolver um demonstrador marítimo integrado.

A proposta utiliza eletricidade renovável para separar hidrogênio da água do mar, armazená-lo e alimentar um motor de combustão a hidrogênio.

O projeto não transforma água salgada diretamente em combustível dentro do motor.

Corrosão, cloro, impurezas, eficiência da eletrólise, armazenamento e custo ainda são desafios.

Como o sistema tenta produzir hidrogênio a partir da água do mar

Eletrólise utiliza eletricidade para separar moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

Com água pura, o princípio é relativamente conhecido.

Água do mar contém sais e outros componentes que complicam o processo.

Cloretos podem produzir reações indesejadas, corroer componentes e gerar cloro.

Por isso, sistemas comerciais frequentemente preferem dessalinizar ou tratar água antes da eletrólise.

O projeto britânico procura integrar tratamento, eletrólise, armazenamento e motor.

Segundo Brunel, o hidrogênio seria armazenado em forma molecular sólida sob condições de temperatura e pressão mais simples que tanques altamente pressurizados ou criogênicos.

Por que energia, corrosão e armazenamento dificultam a aplicação

Hidrogênio não é fonte primária de energia quando produzido por eletrólise. É um vetor.

Primeiro é preciso gastar eletricidade.

Depois existem perdas na eletrólise, compressão ou armazenamento e finalmente no motor.

Queimar hidrogênio em motor de combustão possui eficiência inferior à de muitas células a combustível e pode produzir óxidos de nitrogênio dependendo da operação.

O projeto precisa demonstrar durabilidade dos materiais em ambiente marítimo.

Sal é corrosivo e embarcações já operam em condições agressivas.

Armazenamento é outro obstáculo porque hidrogênio possui baixa densidade volumétrica.

Onde a tecnologia pode ser útil e o que falta para competir comercialmente

Navios, ferries e embarcações de trabalho são difíceis de eletrificar apenas com baterias quando exigem grande autonomia.

Hidrogênio pode ser opção para determinados perfis, especialmente quando produzido com eletricidade de baixa emissão.

O projeto da Brunel é demonstrativo.

Ainda será necessário provar eficiência, custo, confiabilidade e manutenção em escala real.

Também é necessário comparar com alternativas como metanol, amônia, biocombustíveis e baterias.

LEITURA INFOALFA

O oceano oferece água em abundância. Não oferece hidrogênio pronto. Separar, purificar, armazenar e converter esse hidrogênio exige infraestrutura e energia. O sucesso comercial dependerá menos da quantidade de água disponível e mais do custo completo do sistema.

Fontes consultadas