A primeira onda de calor da primavera de 2026 deve começar neste sábado, 26 de setembro, atingindo áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O INMET emitiu aviso vermelho válido até quarta-feira, dia 30, com previsão de temperaturas máximas superiores à média climatológica em pelo menos 5°C durante cinco dias consecutivos em parte da área afetada. Em Cuiabá, as máximas podem chegar a 41°C. Em Campo Grande, a previsão chega a 40°C. O risco, porém, não está apenas no pico do termômetro. Vários dias seguidos de calor intenso reduzem a capacidade de recuperação do corpo, mantêm residências aquecidas por mais tempo e pressionam energia, água, trabalho e rotina urbana.

Resumo Infoalfa

O aviso vermelho do INMET vale entre 26 e 30 de setembro e abrange Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em todo o território, além de áreas de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O critério utilizado pelo INMET considera temperaturas máximas pelo menos 5°C acima da média climatológica por cinco dias consecutivos. Isso significa que uma mesma temperatura pode representar anomalias diferentes dependendo da cidade e da época do ano.

Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e pessoas que permanecem em ambientes muito quentes exigem atenção especial. Confusão mental, desmaio, convulsão ou temperatura corporal muito elevada exigem atendimento médico imediato.

A primeira onda de calor da primavera começa no fim de semana

O INMET publicou em 24 de setembro a previsão da primeira onda de calor da primavera de 2026. O episódio deve começar no sábado, 26, e permanecer até pelo menos a quarta-feira seguinte.

O aviso vermelho cobre integralmente Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Também alcança centro e sul de Mato Grosso, incluindo Cuiabá, centro, sul e oeste do Rio de Janeiro, inclusive a capital, e áreas do sul e sudeste de Minas Gerais.

Outras regiões também devem registrar temperaturas elevadas, mas não necessariamente cumprem ao mesmo tempo os critérios de intensidade e persistência utilizados pelo Instituto para caracterizar a onda de calor.

Cuiabá aparece com previsão de máxima de 41°C no domingo e na segunda-feira. Campo Grande pode atingir 40°C na segunda-feira. São Paulo, embora com temperatura absoluta menor, também entra na área de anomalia relevante.

Isso ajuda a entender uma diferença importante. Uma onda de calor não é definida apenas por atingir determinada marca fixa no termômetro. O valor precisa ser comparado ao comportamento climatológico daquela região e daquele período.

Uma máxima de 38°C em uma cidade habituada a valores elevados no fim de setembro não possui necessariamente o mesmo significado meteorológico que 38°C em uma localidade onde a máxima típica é muito menor.

O risco está na persistência, não apenas na máxima

Um único dia muito quente pode produzir desconforto e risco, especialmente durante exposição prolongada. Uma sequência de dias anormalmente quentes cria um problema adicional porque o corpo e os ambientes dispõem de menos tempo para perder o calor acumulado.

Durante o dia, paredes, telhados, pisos e superfícies urbanas absorvem energia. Se a noite permanece quente, parte desse calor continua armazenada quando começa o dia seguinte.

Dentro de residências mal ventiladas, a temperatura pode continuar elevada várias horas depois de o sol desaparecer. Quartos localizados sob telhados muito expostos, apartamentos com fachadas que recebem sol da tarde e imóveis com pouca circulação de ar tendem a sofrer mais.

A temperatura noturna também importa para a saúde. O sono já é prejudicado pelo calor, e uma noite sem resfriamento suficiente reduz a recuperação fisiológica antes da exposição do dia seguinte.

É por isso que a duração do evento precisa ser observada junto da temperatura máxima. O corpo não enfrenta cinco tardes independentes. Ele atravessa uma sequência contínua de exposição.

O INMET relaciona o episódio à combinação de transporte de ar quente, fortalecimento de uma área de baixa pressão entre norte da Argentina e oeste do Paraguai e circulação anticiclônica em níveis superiores da atmosfera. Essa configuração favorece subsidência do ar e manutenção das temperaturas elevadas.

O termo “domo de calor” é utilizado para descrever parte desse padrão persistente. Não significa uma tampa física sobre a região, mas uma configuração atmosférica que dificulta a renovação da massa de ar e favorece manutenção do calor.

Quem sente primeiro os efeitos

Nem todas as pessoas regulam temperatura corporal da mesma maneira e nem todas possuem a mesma possibilidade de fugir do calor.

Crianças pequenas dependem de adultos para acesso a água, sombra, roupas adequadas e mudança de ambiente. Idosos podem apresentar menor percepção de sede e alterações fisiológicas que dificultam a termorregulação.

Pessoas com doenças cardiovasculares, renais, diabetes e outras condições crônicas também podem apresentar risco maior. Alguns medicamentos alteram equilíbrio hídrico ou capacidade de adaptação ao calor, mas qualquer ajuste medicamentoso precisa ser discutido com profissional de saúde.

Trabalhadores que permanecem expostos ao sol ou próximos a fontes de calor enfrentam outro tipo de risco. Construção civil, entregas, agricultura, limpeza urbana, manutenção externa e atividades industriais podem transformar uma jornada normal em muitas horas de exposição acumulada.

Nesse caso, não basta dizer ao trabalhador para “beber água”. Pausas, sombra, organização de horários, vestuário e adequação do ritmo de trabalho também fazem parte da prevenção.

O mesmo raciocínio vale para atividade física. Durante calor extremo, treinar no horário mais quente adiciona produção de calor metabólico a um ambiente que já dificulta a dissipação.

Não existe uma quantidade única de água que sirva para todo mundo

A orientação para aumentar hidratação é correta, mas transformar isso em um número universal de litros por dia pode ser enganoso.

Necessidade de água varia com peso corporal, atividade física, alimentação, idade, temperatura, umidade, gravidez, condições de saúde e medicamentos.

Quem trabalha várias horas ao ar livre pode perder muito mais líquido do que alguém que permanece em ambiente climatizado. Pessoas com determinadas doenças renais ou cardíacas podem ter restrições específicas de ingestão.

A orientação prática é manter acesso frequente a água e não esperar chegar a uma sede intensa para começar a beber em dias muito quentes, respeitando eventuais recomendações médicas individuais.

Urina muito escura, boca seca, tontura, fraqueza e redução importante do volume urinário podem acompanhar desidratação.

Bebidas alcoólicas merecem cautela. Álcool pode prejudicar percepção de risco, aumentar perda de líquidos em determinadas condições e tornar mais difícil perceber sinais iniciais de mal-estar.

Exaustão pelo calor e golpe de calor não são a mesma coisa

Fraqueza, suor intenso, tontura, náusea, dor de cabeça e cãibras podem aparecer durante exposição excessiva ao calor.

Esses sinais não devem ser ignorados. A pessoa precisa sair da exposição, procurar ambiente mais fresco, interromper esforço e buscar avaliação de saúde quando os sintomas persistirem ou forem importantes.

O quadro mais grave ocorre quando o organismo perde a capacidade de controlar adequadamente a própria temperatura.

Confusão mental, alteração importante de comportamento, convulsão, desmaio, dificuldade para respirar ou temperatura corporal muito elevada indicam situação potencialmente emergencial.

Nesses casos, atendimento médico deve ser procurado imediatamente. O Ministério da Saúde alerta que quadros graves relacionados ao calor podem produzir lesões em cérebro, rins, coração e músculos e podem ser fatais.

Sinais que não devem ser tratados como simples desconforto

Confusão, desmaio, convulsão, perda de consciência, dificuldade respiratória ou temperatura corporal muito elevada exigem atendimento médico imediato.

Como adaptar a rotina durante vários dias de calor

O melhor horário para atividade externa depende das condições locais, mas início da manhã e períodos após redução significativa da temperatura tendem a ser menos agressivos do que o meio da tarde.

Mesmo assim, não basta olhar apenas o relógio. Algumas cidades permanecem extremamente quentes no início da noite, especialmente depois de vários dias de acúmulo térmico.

Roupas leves, proteção solar, sombra e pausas frequentes ajudam quem precisa permanecer no ambiente externo.

Dentro de casa, reduzir a entrada direta de radiação pode fazer diferença. Cortinas, persianas e sombreamento externo são particularmente úteis nas janelas que recebem sol intenso.

A ventilação deve acompanhar a temperatura externa. Abrir tudo durante a tarde pode aumentar o aquecimento quando o ar externo está muito mais quente que o interior.

Quando o exterior começa a resfriar e está mais fresco que a residência, abrir janelas opostas pode ajudar a remover o calor acumulado.

Esse funcionamento muda conforme orientação do imóvel, segurança, umidade e circulação de ar. Não existe uma regra de abrir ou fechar janelas que funcione igual durante as 24 horas.

Ventilador ajuda, mas não resolve qualquer situação

Ventiladores aumentam movimento do ar e favorecem evaporação do suor, melhorando conforto em muitas situações.

Mas o ventilador não reduz a temperatura real do ambiente. Ele movimenta o ar existente.

Quanto mais altas ficam temperatura e umidade, menor pode ser a capacidade do corpo de eliminar calor pela evaporação. Em situações extremas, depender apenas de ventilação pode ser insuficiente para pessoas vulneráveis.

Climatização passa a ter importância maior quando o interior da casa permanece perigosamente quente, especialmente para idosos, bebês ou pessoas doentes.

Quem não possui ar-condicionado pode considerar períodos em locais climatizados e seguros quando o calor doméstico se torna difícil de controlar, caso existam opções acessíveis na região.

Um cuidado adicional aparece com a rede elétrica. Ligar vários equipamentos de alta potência simultaneamente em extensões ou instalações inadequadas aumenta risco de aquecimento e falhas elétricas.

Idosos que moram sozinhos exigem acompanhamento mais ativo

Uma ligação curta pode não revelar o ambiente em que a pessoa está vivendo.

Em ondas de calor, vale verificar se há água disponível, se o imóvel está ventilando adequadamente, se equipamentos estão funcionando e se a pessoa apresenta tontura, fraqueza, sonolência incomum ou confusão.

Isso é especialmente importante quando o idoso possui mobilidade reduzida ou utiliza medicamentos que podem aumentar vulnerabilidade.

Bebês e crianças nunca devem permanecer em veículo fechado, mesmo por poucos minutos. A temperatura interna de um carro pode subir rapidamente.

O mesmo vale para animais domésticos. Água limpa precisa permanecer disponível, sombra deve ser garantida e passeios devem evitar horários em que asfalto e calçadas estejam extremamente aquecidos.

Cães podem sofrer queimaduras nas patas e hipertermia. Animais também não devem permanecer dentro de veículos estacionados.

Energia, água e cidade entram na equação

Ondas de calor elevam demanda por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. O efeito agregado pode aumentar o consumo de eletricidade justamente durante determinados horários de maior carga.

Isso não significa que um apagão seja consequência inevitável do episódio. O impacto depende das condições do sistema elétrico, geração disponível, transmissão e comportamento da demanda.

O mesmo cuidado vale para água. Calor pode aumentar consumo doméstico e determinadas atividades econômicas, mas afirmar que haverá problema de abastecimento exige informação da concessionária ou do órgão responsável pela região.

O que a família pode fazer sem entrar em alarmismo é evitar desperdício, manter água potável disponível e acompanhar comunicações locais.

A própria cidade amplifica parte do problema. Áreas densamente construídas, pouco arborizadas e com grande quantidade de asfalto e concreto acumulam mais calor durante o dia e liberam essa energia lentamente durante a noite.

Esse efeito de ilha de calor faz com que bairros da mesma cidade possam apresentar experiências térmicas bastante diferentes.

O aviso termina dia 30, mas a previsão precisa continuar sendo acompanhada

O aviso do INMET possui validade determinada porque trabalha com uma previsão meteorológica específica. Isso não significa que às 18h do último dia toda a região ficará imediatamente fresca.

A previsão atual indica avanço de uma frente fria a partir do fim do período, reduzindo temperaturas inicialmente no Sul e alterando gradualmente o padrão atmosférico.

A velocidade e intensidade dessa mudança podem ser revistas à medida que novos dados chegam aos modelos.

É por isso que o acompanhamento deve continuar durante o evento. Avisos meteorológicos não são calendários imutáveis. Áreas podem ser incluídas, retiradas ou ter nível de alerta alterado.

Para decisões práticas, vale acompanhar INMET, Defesa Civil e serviços locais, além da temperatura real no bairro onde a pessoa está.

LEITURA INFOALFA

Um dia de 40°C chama atenção porque o número é fácil de visualizar. Uma onda de calor exige outro raciocínio. A casa começa o dia seguinte ainda aquecida, o corpo dorme pior, trabalhadores repetem a exposição e pessoas vulneráveis acumulam esforço térmico. É por isso que duração e capacidade de recuperação durante a noite importam tanto quanto a temperatura máxima registrada à tarde.

Fontes consultadas